Navegue pelo conteúdo
- Por que o corpo na perimenopausa começa a guardar gordura de forma diferente
- A redistribuição de gordura abdominal: estrogênio, cortisol e a barriga que aparece do nada
- Resistência à insulina na perimenopausa: o mecanismo metabólico silencioso
- O papel da progesterona na retenção de líquidos e no inchaço crônico
- Tireoide e metabolismo basal: quando a glândula mariposa sabota seus esforços
- Cortisol elevado, sono ruim e o ciclo vicioso que impede a perda de peso
- Por que a dieta que funcionava antes não funciona mais — e o que isso significa fisiologicamente
- Movimento inteligente na perimenopausa: o que o excesso de exercício faz com os hormônios
- Nutrição hormonal: o que comer para apoiar o metabolismo sem inflamar o corpo
- Estratégias integradas que combinam sono, estresse, alimentação e suporte hormonal
- Perguntas Frequentes
Ganho de Peso Resistente na Perimenopausa: Por Que a Dieta Para de Funcionar e o Que Fazer
Você come menos do que antes, se exercita regularmente e mesmo assim a balança não se move. Isso não é falta de disciplina — é bioquímica.
A gordura abdominal que apareceu depois dos 40 não é a mesma de antes. Ela responde a outros hormônios, obedece a outras regras e precisa de outra abordagem. E nenhuma dieta vai funcionar de forma sustentável enquanto o cortisol estiver alto, a insulina resistente e a progesterona em queda.
Essa é a tríade que ninguém te explicou — e é exatamente o que vamos desmembrar aqui, com a precisão que esse assunto merece.

Por que o corpo na perimenopausa começa a guardar gordura de forma diferente
Entre os 40 e os 50 anos, o corpo feminino passa por uma transição hormonal profunda. Os ovários começam a produzir quantidades menores e mais irregulares de estrogênio e progesterona. Essa flutuação não é linear — há picos, quedas abruptas e períodos de relativa estabilidade que se alternam sem aviso.
O resultado metabólico é complexo. O tecido adiposo, que antes funcionava de forma relativamente previsível, começa a se comportar como um órgão endócrino ativo. Ele não apenas armazena energia — ele secreta citocinas inflamatórias, converte hormônios e amplifica sinais que favorecem ainda mais o acúmulo de gordura.
Estudos conduzidos pelo NIH (2018) mostram que a taxa metabólica basal cai de forma mensurável durante a perimenopausa, mesmo quando a composição corporal e o nível de atividade física permanecem estáveis. Isso significa que o corpo simplesmente passa a gastar menos energia em repouso.
E não é só questão de quantidade calórica. A partitioning de nutrientes — ou seja, o destino que o corpo dá aos carboidratos, proteínas e gorduras ingeridos — também muda. Onde antes havia síntese muscular e oxidação de gordura, agora há maior tendência ao armazenamento adiposo, especialmente na região visceral.
Entender essa mudança de base é o primeiro passo. Sem esse contexto, qualquer estratégia de controle de peso vai parecer — e de fato será — insuficiente. Para uma visão mais ampla de como esses mecanismos se interconectam, vale explorar o conteúdo sobre saúde da mulher na perimenopausa e menopausa.
A redistribuição de gordura abdominal: estrogênio, cortisol e a barriga que aparece do nada
O estrogênio tem um efeito protetor bem documentado sobre a distribuição de gordura corporal. Enquanto os níveis estão adequados, ele favorece o depósito de gordura nas regiões subcutâneas — quadris, coxas e glúteos. Quando cai, esse padrão se inverte.
A gordura migra para o abdômen. Mais especificamente, para a gordura visceral — aquela que envolve os órgãos internos e que tem perfil metabólico completamente diferente da gordura subcutânea. Ela é inflamatória, resistente à insulina e metabolicamente ativa de forma prejudicial.
O cortisol amplifica esse processo. Quando o estresse crônico mantém o cortisol elevado, os receptores de glicocorticoides presentes no tecido adiposo visceral respondem com aumento do armazenamento local. É um mecanismo evolutivo — em situações de ameaça, o corpo guarda energia próxima aos órgãos vitais.
O problema é que o corpo não distingue entre a ameaça de um predador e a pressão de uma agenda lotada. O Lancet (2021) publicou análises mostrando que mulheres na perimenopausa com altos níveis de estresse percebido apresentam circunferência abdominal significativamente maior do que pares com perfil hormonal semelhante mas menor carga de estresse.
Essa interação entre queda de estrogênio e elevação de cortisol cria um ambiente onde a barriga abdominal aparece mesmo sem mudança calórica. Entender o desequilíbrio entre estradiol e progesterona é fundamental para qualquer estratégia que pretenda reverter esse quadro.
Resistência à insulina na perimenopausa: o mecanismo metabólico silencioso
A resistência à insulina na menopausa é um dos mecanismos mais subestimados na prática clínica convencional. Ela não aparece nos exames de rotina até que esteja avançada — e mesmo assim, é frequentemente interpretada apenas como risco de diabetes, não como causa direta do ganho de peso resistente.
O que acontece é o seguinte: o estrogênio tem papel ativo na sensibilidade das células à insulina. Ele aumenta a expressão de receptores de insulina no músculo e no fígado, facilita a captação de glicose e reduz a produção hepática de glicose. Quando cai, toda essa maquinaria perde eficiência.
O pâncreas compensa produzindo mais insulina. E a insulina elevada — mesmo dentro do que muitos laboratórios classificam como “normal” — bloqueia a lipólise. Ou seja, impede que o corpo queime gordura armazenada.
A Endocrine Society (2020) revisou estudos que demonstram que mulheres em perimenopausa têm aumento progressivo da insulina de jejum, mesmo sem mudança na dieta. Em muitos casos, a glicemia de jejum permanece normal enquanto a insulina já está elevada — o que torna esse mecanismo invisível nos painéis laboratoriais padrão.
O resultado prático: você pode comer uma salada e seu corpo ainda assim vai armazenar parte dessa refeição como gordura, porque a insulina alta mantém o interruptor metabólico no modo “guardar”. Para identificar essa condição precocemente, os exames funcionais na perimenopausa são indispensáveis — e vão muito além do que o check-up convencional oferece.

O papel da progesterona na retenção de líquidos e no inchaço crônico
A progesterona tem uma função que raramente é mencionada nas consultas: ela é um diurético natural. Ela compete com a aldosterona — hormônio que retém sódio e água — nos receptores renais, e essa competição normalmente equilibra a tendência ao inchaço.
Na perimenopausa, a progesterona cai antes e de forma mais abrupta do que o estrogênio. Isso cria um período de dominância relativa de estrogênio — não necessariamente porque o estrogênio está alto em valores absolutos, mas porque a progesterona não está presente para contrabalançá-lo.
Sem a progesterona fazendo essa oposição, a aldosterona age sem freio. O resultado é retenção de sódio, acúmulo de líquido intersticial e aquela sensação de inchaço que muitas mulheres descrevem como “acordei dois quilos mais pesada do que ontem sem comer nada diferente”.
Esse inchaço flutuante pode mascarar perdas reais de gordura e desmotivar qualquer processo de acompanhamento pela balança. Mais do que isso: a retenção crônica de líquidos gera inflamação de baixo grau no tecido adiposo, o que por sua vez aumenta a resistência à insulina — fechando mais um ciclo vicioso.
Reconhecer o desequilíbrio entre estradiol e progesterona como causa do inchaço crônico muda completamente a abordagem terapêutica. Tratar inchaço com restrição de sódio, por exemplo, não resolve o problema de base — apenas alivia o sintoma temporariamente.
Tireoide e metabolismo basal: quando a glândula mariposa sabota seus esforços
A tireoide regula o metabolismo de todas as células do corpo. Quando ela funciona abaixo do ideal — mesmo dentro dos limites que muitos laboratórios consideram “normais” — o metabolismo basal cai, a termogênese diminui e o corpo passa a gastar menos energia em cada processo celular.
A relação com a perimenopausa não é coincidência. As flutuações de estrogênio afetam diretamente a produção de proteínas transportadoras de hormônios tireoidianos, a conversão periférica de T4 em T3 ativo e a sensibilidade dos receptores nos tecidos.
A Mayo Clinic (2019) estima que cerca de uma em cada cinco mulheres desenvolve disfunção tireoidiana subclínica durante a perimenopausa — e a maioria não recebe diagnóstico porque o TSH isolado, exame mais solicitado, não captura a função tireoidiana completa.
O painel mínimo para avaliação tireoidiana funcional inclui TSH, T3 livre, T4 livre, T3 reverso e anticorpos anti-TPO e anti-Tireoglobulina. Quando o T3 reverso está elevado — situação comum em mulheres sob estresse crônico — o metabolismo literalmente freia, mesmo com TSH normal.
Isso explica por que muitas mulheres fazem tudo certo e não perdem peso: a tireoide está operando em modo econômico, e nenhuma dieta consegue superar uma taxa metabólica basalmente reduzida. A avaliação completa dessa glândula faz parte dos exames funcionais na perimenopausa que discuto detalhadamente em outros contextos clínicos.
Cortisol elevado, sono ruim e o ciclo vicioso que impede a perda de peso
O sono é um dos reguladores metabólicos mais poderosos que existem — e é exatamente durante o sono que o corpo executa a maior parte do reparo hormonal. A leptina, hormônio da saciedade, é secretada predominantemente à noite. A grelina, que estimula o apetite, é suprimida durante o sono profundo.
Na perimenopausa, o sono é frequentemente fragmentado. As ondas de calor noturnas, a ansiedade e o córtex pré-frontal em alerta constante interrompem os ciclos de sono profundo. Com sono inadequado, a leptina cai, a grelina sobe e o cortisol matinal aparece mais elevado do que deveria.
O cortisol elevado ao acordar aumenta a glicemia, estimula o apetite — especialmente por carboidratos de rápida absorção — e sinaliza ao corpo para preservar gordura visceral. Pesquisas da Harvard Medical School (2017) mostraram que apenas quatro noites consecutivas de sono abaixo de seis horas são suficientes para induzir resistência à insulina mensurável em adultos saudáveis.
O ciclo é cruel: o sono ruim eleva o cortisol, que aumenta a resistência à insulina e o apetite por açúcar, que por sua vez piora o sono e mantém o cortisol alto. Sem intervenção direta nesse eixo, qualquer estratégia alimentar ou de exercício vai operar contra uma corrente constante.
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Disponível em Português, Espanhol e Inglês

Por que a dieta que funcionava antes não funciona mais — e o que isso significa fisiologicamente
Aos 30 anos, uma restrição calórica de 300 a 400 calorias diárias produzia resultados visíveis em poucas semanas. Aos 45, a mesma restrição pode não mover a balança por meses. Isso não é fenômeno imaginário — tem substrato fisiológico muito específico.
Primeiro: a massa muscular cai progressivamente a partir dos 35 anos — um processo chamado sarcopenia. Como o músculo é o tecido metabolicamente mais ativo do corpo, cada quilo perdido de massa magra representa uma redução diária no gasto energético basal. Uma mulher de 47 anos com menos massa muscular do que aos 35 vai queimar menos calorias em repouso, mesmo fazendo o mesmo volume de exercício.
Segundo: a resposta do tecido adiposo ao déficit calórico muda. Quando o corpo percebe restrição energética repetida — como acontece em mulheres que já passaram por várias dietas — ele adapta o metabolismo para gastar menos. Esse fenômeno, descrito como metabolic adaptation, é mais pronunciado quando há desequilíbrio hormonal subjacente.
Terceiro: o microbioma intestinal muda com a queda de estrogênio. O estrogênio influencia a diversidade bacteriana intestinal, e uma microbiota menos diversa processa carboidratos de forma menos eficiente, aumenta a permeabilidade intestinal (leaky gut) e produz mais lipopolissacarídeos — moléculas que induzem inflamação sistêmica e pioram a resistência à insulina.
O JAMA (2022) publicou uma análise longitudinal mostrando que mulheres em perimenopausa que mantinham o mesmo padrão alimentar dos anos anteriores apresentaram ganho de gordura visceral progressivo, mesmo sem aumento calórico. A conclusão é direta: a mesma dieta em um corpo com perfil hormonal diferente produz resultados diferentes.
Movimento inteligente na perimenopausa: o que o excesso de exercício faz com os hormônios
A reação intuitiva ao ganho de peso é aumentar o volume de exercício. Mais uma hora de cardio. Mais dias de treino. Mais calorias queimadas. Essa lógica faz sentido nos 30 anos. Na perimenopausa, ela pode ser contraproducente.
O exercício físico é um estressor. Em doses adequadas, é um estressor benéfico que gera adaptação positiva. Em excesso — especialmente cardio de alta intensidade e longa duração —, ele eleva o cortisol de forma sustentada, aumenta a inflamação sistêmica e suprime a função ovariana residual.
Mulheres que já têm cortisol elevado por estresse crônico e privação de sono e que adicionam treinos excessivos estão colocando mais lenha em uma fogueira que já está grande demais. O corpo responde preservando gordura visceral como proteção contra o que interpreta como ameaça energética crônica.
O que a literatura científica mais recente indica como mais eficaz nessa fase é uma combinação diferente:
- Treino de força progressivo — preserva e reconstrói massa muscular, aumenta o metabolismo basal e melhora a sensibilidade à insulina de forma duradoura.
- Caminhadas de baixa a moderada intensidade — ativam o sistema nervoso parassimpático, reduzem cortisol e melhoram a oxidação de gordura sem criar estresse adicional.
- HIIT em doses controladas — dois a três treinos curtos por semana (20 a 30 minutos) oferecem benefícios metabólicos sem o custo hormonal do cardio longo.
- Recuperação estruturada — dias de descanso ativos não são sinal de fraqueza. São parte essencial da adaptação hormonal.
A Nature Metabolism (2021) destacou que o treino de força é a intervenção de exercício com maior impacto na sensibilidade à insulina em mulheres na pós-menopausa — superando o cardio em todos os marcadores metabólicos avaliados.
Nutrição hormonal: o que comer para apoiar o metabolismo sem inflamar o corpo
A nutrição na perimenopausa não é sobre contar calorias. É sobre composição, qualidade e timing — três variáveis que afetam diretamente o ambiente hormonal.
Proteína: o macronutriente mais subestimado nessa fase
A ingestão adequada de proteína é fundamental para preservar massa muscular, controlar o apetite via saciedade hormonal e estabilizar a glicemia. A recomendação para mulheres em perimenopausa está entre 1,4 e 1,8 g por quilograma de peso corporal — valor superior ao consumo médio habitual da maioria das mulheres nessa faixa etária.
Fontes prioritárias: ovos inteiros, peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum), carnes não processadas, leguminosas combinadas com grãos, e, quando necessário, suplementação com proteína de soro de leite ou vegetal de alta qualidade.
Gorduras que regulam hormônios
Os hormônios esteroides — incluindo estrogênio, progesterona e cortisol — são sintetizados a partir do colesterol. Uma dieta cronicamente pobre em gorduras saudáveis priva o corpo do substrato para essa síntese.
Ômega-3 de cadeia longa (EPA e DHA), azeite de oliva extravirgem, abacate e castanhas são aliados diretos do equilíbrio hormonal. Eles também têm efeito anti-inflamatório documentado, o que contribui para reduzir a inflamação de baixo grau que perpetua a resistência à insulina.
Carboidratos: qualidade e timing importam mais do que quantidade
Carboidratos de alto índice glicêmico — pão branco, massas refinadas, açúcar, sucos de fruta — causam picos rápidos de insulina que, no contexto de resistência à insulina já instalada, favorecem o armazenamento de gordura. Não significa eliminar carboidratos — significa escolher fontes que liberam glicose de forma lenta e gradual.
Vegetais de folhas escuras, batata-doce, aveia integral, leguminosas e frutas de baixo índice glicêmico (berries, maçã, pera) são as escolhas mais inteligentes. Consumir carboidratos próximos ao treino de força é uma estratégia eficaz — o músculo em trabalho tem maior capacidade de captar glicose sem depender tanto da insulina.
Fitoestrogênios: com moderação e contexto
A soja, a linhaça e outros alimentos ricos em fitoestrogênios têm efeito modulador nos receptores de estrogênio — podem atenuar levemente a queda estrogênica e, em alguns contextos, ajudam a reduzir ondas de calor. O uso deve ser contextualizado individualmente, especialmente em mulheres com histórico de condições estrogênio-dependentes.
Estratégias integradas que combinam sono, estresse, alimentação e suporte hormonal
Nenhuma das variáveis discutidas até aqui age de forma isolada. O sono ruim piora o cortisol, que piora a resistência à insulina, que aumenta o apetite, que piora o sono. A queda de progesterona aumenta o cortisol, que reduz a síntese de progesterona. Cada eixo influencia todos os outros.
Por isso, a abordagem que consistentemente produz resultados sustentáveis nessa fase é integrada — ela trabalha os múltiplos eixos ao mesmo tempo, com prioridades claras e sequência lógica.
Primeiro eixo: sono como prioridade terapêutica
Higiene do sono não é luxo — é intervenção metabólica. Temperatura do quarto entre 18 e 20 graus, escuridão total, horários consistentes de dormir e acordar, e supressão de luz azul nas duas horas antes de deitar. Em casos de ondas de calor noturnas graves, o suporte hormonal pode ser necessário para viabilizar o sono antes de qualquer outra estratégia.
Segundo eixo: regulação do eixo HPA
O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA axis) é responsável pela resposta ao estresse. Regulá-lo envolve práticas consistentes de redução de carga cognitiva: meditação, respiração diafragmática, tempo na natureza, redução de demandas desnecessárias. Adaptógenos como ashwagandha e rhodiola têm evidência crescente na modulação do cortisol nessa fase.
Terceiro eixo: suporte hormonal quando indicado
A terapia de reposição hormonal, quando indicada e prescrita dentro dos critérios de segurança atuais, pode ser uma ferramenta poderosa no controle do ganho de peso resistente. Ela não substitui as mudanças de estilo de vida — mas remove barreiras bioquímicas que tornam essas mudanças ineficazes. O livro Perimenopausa aborda os critérios de indicação com a profundidade que o tema merece.
Quarto eixo: protocolo alimentar com suporte ao microbioma
Fibras prebióticas, alimentos fermentados, redução de ultraprocessados e suplementação criteriosa de probióticos ajudam a restaurar a diversidade do microbioma intestinal. Isso melhora o metabolismo de estrogênio, reduz a inflamação e melhora a sensibilidade à insulina por mecanismos intestino-cérebro-pâncreas ainda em estudo intensivo.
O protocolo de 90 dias de equilíbrio hormonal detalhado no livro integra todos esses eixos em uma sequência prática, com marcos de avaliação e ajuste ao longo do processo.
O ganho de peso resistente na perimenopausa não é um problema de força de vontade. É um problema de bioquímica — e bioquímica se trata com ciência, não com mais restrição.
A neblina mental e o ganho de peso na perimenopausa têm a mesma raiz hormonal — e entender essa conexão muda completamente a forma de tratar cada um deles. Leia o artigo sobre saúde cerebral na perimenopausa e entenda como esses dois sintomas se alimentam mutuamente.
Perguntas Frequentes
É normal ganhar peso mesmo comendo de forma saudável na perimenopausa?
Sim — e é mais comum do que a maioria dos médicos costuma reconhecer. A queda de estrogênio reduz a taxa metabólica basal, piora a sensibilidade à insulina e redistribui a gordura para a região visceral, independentemente da qualidade da dieta. Isso não significa que a alimentação não importa — significa que ela sozinha não é suficiente. A abordagem precisa incluir avaliação hormonal, manejo do cortisol e otimização do sono para que a nutrição saudável produza o resultado esperado.
Qual dieta funciona melhor para o ganho de peso resistente na perimenopausa?
Não existe uma dieta única que funcione para todas as mulheres nessa fase — e desconfie de quem afirma o contrário. O que a literatura aponta como mais eficaz é um padrão alimentar anti-inflamatório, rico em proteínas de qualidade, gorduras saudáveis e carboidratos de baixo índice glicêmico, com atenção ao timing das refeições. Dietas mediterrânea e de baixo índice glicêmico têm as evidências mais consistentes para essa população. A personalização baseada em exames funcionais é sempre superior a protocolos genéricos.
Jejum intermitente é seguro e eficaz para mulheres na perimenopausa?
O jejum intermitente pode ser uma ferramenta útil, mas precisa ser aplicado com critério nessa fase. Períodos de jejum muito longos ou muito frequentes podem elevar o cortisol, piorar o sono e suprimir a função tireoidiana em mulheres já sob estresse fisiológico elevado. A janela alimentar de 10 a 12 horas, com a última refeição encerrada duas a três horas antes de dormir, costuma ser o ponto de entrada mais seguro. Protocolos mais restritivos devem ser acompanhados por profissional com entendimento do eixo HPA.
Como saber se meu ganho de peso é hormonal ou metabólico?
Na prática clínica, os dois raramente estão separados — o desequilíbrio hormonal cria o ambiente para a disfunção metabólica, e vice-versa. O que ajuda a identificar o componente hormonal é o painel laboratorial funcional: estradiol, progesterona, testosterona livre, cortisol salivar em quatro pontos do dia, insulina de jejum, T3 livre, T3 reverso e HOMA-IR. Quando há ganho de peso com glicemia normal mas insulina elevada, resistência à insulina está presente. Quando há ganho central com cortisol elevado no período da tarde, o eixo de estresse é o ponto de intervenção prioritário.
A reposição hormonal ajuda na perda de peso durante a perimenopausa?
A terapia de reposição hormonal não é um tratamento para emagrecimento — mas ela remove barreiras metabólicas que tornam ineficazes os esforços de estilo de vida. Ao restaurar o estrogênio e a progesterona a níveis fisiológicos adequados, ela melhora a sensibilidade à insulina, reduz o acúmulo de gordura visceral, melhora o sono e reduz o cortisol basal. Estudos da Endocrine Society (2019) mostram que mulheres em reposição hormonal têm menor progressão de gordura visceral ao longo do tempo comparadas às que não fazem reposição, quando associada a mudanças de estilo de vida.
O excesso de exercício pode piorar o ganho de peso nessa fase?
Sim — especialmente o cardio de alta intensidade e longa duração em mulheres que já têm cortisol elevado. O exercício é um estressor fisiológico, e quando sobreposto a um sistema que já está sobrecarregado, eleva ainda mais o cortisol, suprime a função ovariana residual e favorece o acúmulo de gordura visceral. O paradoxo é real: mais exercício pode produzir mais gordura abdominal nesse contexto específico. O treino de força progressivo e as caminhadas moderadas têm melhor relação de custo-benefício para essa fase.
Existe relação entre estresse e acúmulo de gordura abdominal na menopausa?
A relação é direta e bem documentada. O cortisol elevado cronicamente ativa receptores de glicocorticoides no tecido adiposo visceral — esses receptores são mais densos no abdômen do que em outras regiões — e sinaliza armazenamento local de gordura. Ao mesmo tempo, o cortisol alto aumenta o apetite por carboidratos de rápida absorção, eleva a glicemia e estimula a produção de insulina. É um circuito de retroalimentação positiva que, sem intervenção, se perpetua indefinidamente.
Quanto tempo leva para perder o peso ganho na perimenopausa com a abordagem certa?
Não há uma linha do tempo única, porque o ponto de partida é sempre diferente. Em geral, quando todos os eixos são trabalhados de forma integrada — hormonal, nutricional, de exercício e de sono — os primeiros resultados mensuráveis aparecem entre 8 e 12 semanas. A gordura visceral tende a responder primeiro, seguida pela subcutânea abdominal. O processo completo, com estabilização e manutenção, costuma demandar seis a doze meses. A expectativa de resultados rápidos é um dos maiores sabotadores do processo nessa fase.
Medicamentos para emagrecer são seguros durante a perimenopausa?
Alguns são — com indicação criteriosa e monitoramento adequado. Os análogos de GLP-1 (como semaglutida), por exemplo, têm evidências crescentes em mulheres na perimenopausa com resistência à insulina e risco cardiovascular aumentado. Outros, como supressores de apetite dopaminérgicos, podem piorar a ansiedade e o sono, já comprometidos nessa fase. A decisão sobre medicamentos deve sempre considerar o perfil hormonal completo, comorbidades e a capacidade de sustentar mudanças de estilo de vida em paralelo — o medicamento não substitui a base.
O ganho de peso na perimenopausa aumenta risco de doenças cardiovasculares?
Sim — e esse é um dos pontos mais clinicamente relevantes do tema. A gordura visceral acumulada na perimenopausa é metabolicamente ativa: ela libera ácidos graxos livres para a circulação portal, aumenta a produção hepática de triglicerídeos, eleva a pressão arterial e induz um estado pró-inflamatório crônico. Estudos do JAMA Cardiology (2020) mostram que o período da perimenopausa representa uma janela de aumento acelerado de risco cardiovascular nas mulheres — comparável, em magnitude, ao risco associado ao tabagismo. Tratar o ganho de peso nessa fase não é estética — é prevenção cardiovascular primária.